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Revista de Haicai - Editores: Chris Herrmann e Jiddu Saldanha
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Um vento dourado

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “UM VENTO DOURADO” POR SEU AUTOR, IGNACIO SÁNCHEZ, EM OUTUBRO DE 2011, NO MINISTÉRIO DE CULTURA (MINC) DA REPÚBLICA DOMINICANA

Sou consciente de que, se é pouco habitual dedicar umas horas à apresentação de uma obra literária se se trata de poesia, o fato de que estejam dividindo este momento comigo resulta extraordinário e quase toca o milagroso se a poesia que se apresenta é de um gênero tão pouco conhecido e minoritário como o haicai. Quero agradecer também, como não poderia ser menos, a Noé Zayas, meu editor, porque se já é quase milagroso encontrar leitores de poesia, encontrar quem a publique é definitivamente sobrenatural.

A pequena obra que apresentamos leva por nome de batismo “Um vento dourado” e como subtítulo: “35 haicais, um zéjel e várias redondilhas”. Alguns destes poeminhas foram anteriormente publicados, com as maravilhosas versões de Cristiane Grando, na revista virtual brasileira “Haicai”, editada por Jiddu Saldanha.

Gostaria de lhes fazer um breve relato da gestação deste livro. Sou, fundamentalmente, um escritor em prosa, apesar de que sempre, desde muito jovem, escrevi poesia; mesmo estando publicadas, algumas delas em revistas e outros meios, nunca foram organizadas em forma de livro. Acabava de publicar um livro de relatos ou novela breve que se passava entre a Guiné Equatorial, Camarões e Senegal, “Áfrika Star”, e me dedicava à documentação necessária para escrever outro livro que igualmente se passa na África e cujo nome – até este momento - é “Harmattan”, já sabem, o vento de areia que baixa do deserto do Saara. Nisso ocupava os longos, preguiçosos e luminosos dias de minhas férias em Salamanca.

Certa tarde, meu bom amigo, o fotógrafo Miguel Hernández (sim, como o poeta), que pratica meditação zen e é um conhecedor da cultura japonesa, me recitou, durante um lento passeio entre pinheiros, uns poeminhas breves e curiosamente descritivos, misteriosos e impactantes. Me explicou, diante de minha curiosidade, que eram haicais. Esta pequena joia poética me cativou e, quase sem querer, timidamente, escrevi um par deles e os mostrei a Miguel:

_ Você escreveu uns haicais autênticos! - exclamou.

Então, continuei, quase com libidinosa voluptuosidade, escrevendo estes poeminhas enquanto continuava com o meu projeto de novela.

Mas, o que é um haicai? É, em essência, um poema breve de três versos, ou seja, um terceto. O primeiro verso é de cinco sílabas, o segundo de sete e o terceiro de cinco (5-7-5). Quanto ao seu conteúdo original, os poetas japoneses do século XVI nos dizem que “haicai é o que está sucedendo neste lugar, neste momento”. Tem, pois, mais alma de aquarela que de grandes telas a óleo. Outra das características clássicas do haicai é a de incluir uma referência, mais ou menos velada, à estação do ano. As origens do haicai estão profundamente submersas nas tranquilas águas das grandes filosofias e religiões: no Taoísmo, no Confucionismo e no Budismo, fundamentalmente na corrente zen. Até meados do século XIX, momento em que a cultura japonesa se abre à influência do exterior (e vice-versa), o haicai é praticamente desconhecido no Ocidente. O grande poeta japonês Massoka Shiki (1867-1902) revolucionou o haicai limpando-o de seu desvelo velho, religioso e formal e popularizando-o entre os jovens poetas japoneses. Fora do Japão, as primeiras composições influenciadas pelo haicai são encontradas no poeta inglês B. H.Chamberlain e, posteriormente, em Ezra Pound, D. H. Lawrence ou J. Joyce. Em língua espanhola, foi o México, sem dúvida alguma, o país onde o haicai teve um maior número de cultivadores e uma maior difusão. O poeta mexicano José Juan Tablada, com os que ele chamava “poemas sintéticos”, encontrou uma inspirada e pessoal forma de expressão. Tablada transforma o haicai, tanto formal quanto tematicamente, para adaptá-lo a suas necessidades expressivas; por exemplo, incorpora o título e o uso da rima (ambas coisas impensáveis no haicai clássico) e abre o leque de temas à cotidianidade contemporânea. Outros ilustres cultivadores do haicai em língua hispânica tem sido Octavio Paz, Antonio Machado e Jorge Luis Borges.

Depois, brincando, brincando, aumentei o livrinho com um par de estrofes clássicas espanholas, criadas na mesma época e de origem oriental (via árabes): o zéjel e a redondilha.

O zéjel é um dos tipos poemáticos mais antigos da nossa lírica, com exemplos datados a partir do século XIV. Sua origem se situa na poesia moçárabe e estão escritos em árabe dialetal com algumas palavras em romance. Originalmente, o zéjel era cantado por coro e solista e costumava ser acompanhado de alaúde, flautas, tambor ou castanholas. Em resumidas contas, o zéjel é uma estrofe formada por um estribilho e uma mudança que inclui um verso de volta, ou seja, um tríptico monórrimo com estribilho e um quarto verso de volta. Em tempos contemporâneos, têm utilizado esta estrofe poetas como Rafael Alberti e o maiorquino Llorenç Vidal.

A redondilha, que muito amou Lope de Vega, é outra antiga estrofe de profundas ressonâncias populares e que se compõe com quatro versos octossílabos, ou seja, de arte menor, com rima intercalada (abba) ou cruzada (abab). Se diferencia do quarteto pois esta é de arte maior, ou seja, os versos são endecassílabos e é uma estrofe mais culta, mais longínqua das águas frescas e vivas do romance.

Espero não os haver cansado demais. Em todo caso, se algum de vocês tiver interesse, tudo o que foi falado estará dentro das páginas desse livro, de cujo conteúdo lhes vamos oferecer uma mostra a seguir, eu e minha grande amiga e tradutora, a poeta brasileira Cristiane Grando, sem cujo entusiasmo e generosidade este livro não existiria.

Muito obrigado!

Ignacio Sánchez

Tradução: Cristiane Grando

Revisão: Giovana Bleyer


O livro como objeto de arte

por Fernando Casanova - 21/12/11

Foto: Karla Khoury

O livro como objeto de arte está se transformando na resposta que os livros oferecem às novas formas de lê-los. O livro-objeto é consequência do presente, evolucionou e se desenvolve paralelamente ao ritmo das mudanças sociais, tecnológicas e criativas; e o faz com a força que gera o não perder o contato com a realidade criativa e com os colecionadores, bibliófilos e amantes da arte.

“Opera Prima”, editora dominicana, iniciou uma coleção com o livro-objeto de arte “HAIKUS Y ACUARELAS”. Um livro que é uma homenagem aos universos, o da literatura e o das artes plásticas, duas manifestações que têm corrido paralelas pela história, sempre tocando-se levemente, inspirando-se mutuamente. Neste livro-objeto confundem-se o escritor e o artista plástico.

A pintura abstrata de Said Musa nesta coleção de aquarelas e cerâmicas sobre haicais de Ignacio Sánchez alude a um novo tipo de sensibilidade: a de compreender certas coisas, a de captar e traduzir a essência da poesia. Toda obra de arte costuma possuir uma materialidade que se forma, ou que cobra forma, seguindo os ditados de alguma ideia estética determinada. Esta obra é uma espécie de livro que sonha e nos faz sonhar sobre o mundo de posibilidades que nos oferece a arte.

A edição de “Haikus y Acuarelas” é composta de cinquenta exemplares, para colecionadores de arte e bibliófilos, com azulejo-cerâmico original único em cada uma das capas e, além disso, uma aquarela original única sobre papel no final do livro. As 35 ilustrações foram especialmente elaboradas para este volume; todas as peças são coloridas, e todos os exemplares, assinados pelos autores. Um livro de uma beleza que assombra. Fazia falta que se fizessem coisas assim em nosso país.

Foto: Karla Khoury

Qualquer destas aquarelas ou cerâmicas condensa uma visão totalizadora da beleza expressa através da cor, e cada peça criada nesta coleção está inspirada por uma leitura emotiva de poesia de grande qualidade. É a arte pela arte, através da arte e dentro da arte. Uma combinação feliz para um livro que já será uma peça de coleção importante em nosso país e na Espanha.

Os livros eternos serão edições mimadas, luxuosas umas, humildes e indispensáveis outras. O livro objeto de arte será um veículo para expressar outras mensagens, não somente as que se leem. Serão livros particulares porque o livro-objeto não conhece limites, não respeita leis de mercado, não pretende ocupar o espaço de outro produto cultural, não é um ato puramente racional; é emotivo, lúdico e estimulante. São os livros mais livres de todos os livros. Os livros que amaremos terão alma, como este.

Texto publicado originalmente em espanhol no jornal “Diario Libre” (São Domingos, República Dominicana): http://artelibre.diariolibre.com/?p=17

Tradução: Cristiane Grando


Um Vento Dourado

de Ignacio Sánchez

Seleção e tradução de Cristiane Grando

IV

Luces violentas

Atraviesan los cielos

De las tormentas

Luzes violentas

Atravessam os céus

Das tormentas

VI

Insomnio en la tormenta

Brotan del rayo

Fosforescentes sueños

Estrafalarios

Insônia na tormenta

Brotam do raio

Fosforescentes sonhos

Extraordinários

IX

Viento dorado,

Remolino de hojas.

Todo ha pasado.

Vento dourado,

Remoinho de folhas.

Tudo é passado.

X

Humilde albur.

Sí. No. Pétalos blancos

Riegan los prados.

Humilde acaso.

Sim. Não. Pétalas brancas

Regam os prados.

XI

Duerme el lagarto

Su sueño amarillo

Sobre la piedra.

Dorme o lagarto

Seu sonho amarelo

Sobre a pedra.

XIV

El olor blanco

Del ramo de azucenas

Abandonado.

O aroma branco

Do ramo de açucenas

Abandonado.

XV

Flores de acuarela

Sobre la blanca tapia:

Las buganvillas.

Flores de aquarela

Sobre a parede branca:

As primaveras.

XVI

La vela blanca,

Como una garza posada

En el horizonte.

A vela branca,

Como garça pousada

No horizonte.

XIX

Tierra mojada.

En la postrer tormenta

Olor de infancia.

Terra molhada.

Após a tormenta

Aroma de infância.

XXI

Álamo blanco

Orilla del arroyo

De la memoria.

Álamo branco

Orla do arroio

Da memória.

XXV

El olor verde

De la lluvia caliente

Sobre el palmeral.

O aroma verde

Da chuva quente

Sobre o palmeiral.

XXIX

Bóveda azul

Y un revuelo de palmas

Contra el mar plata.

Abóbada azul

Algazarra de palmas

Contra o mar prata.

XXX

Hay un silencio

Escondido en las entrañas

De tu recuerdo.

Há um silêncio

Escondido nas entranhas

Da tua lembrança.

XXXIII

Instante o luz.

Diminutos fulgores:

El colibrí.

Instante ou luz.

Diminutos fulgores:

O beija-flor.

Quito-Santo Domingo, agosto de 2009.

Poemas do livro: “Un viento dorado: 35 haikus, un zéjel y varias redondillas” / “Um vento dourado: 35 haicais, um zéjel e várias redondilhas”, de Ignacio Sánchez. Tradução: Cristiane Grando. Revisão: Aline Sales. Portada: acuarela de Said Musa. San Francisco de Macorís: Angeles de Fierro, 2011.

Ignacio Sánchez

Nascido em Salamanca (Espanha). Na Universidade desta cidade estudou na Faculdade de Letras. Graduado em Geografia e História na Universidade de Salamanca, em Língua e Literatura Francesas na Universidade de Genebra, é atualmente funcionário do Ministerio de Asuntos Exteriores de España e Caballero de la Orden del Mérito Civil, título outorgado por S.M. o Rei da Espanha. Por motivos de trabalho, e também por vocação, viveu em diferentes países e em vários continentes. Atualmente reside em São Domingos. Quase toda a sua vida profissional se realizou no exterior: foi Diretor do Centro Cultural Espanhol em Malabo (Guiné Equatorial), Cônsul na Embaixada da Espanha em Dakar (Senegal), Cônsul no Consulado Geral da Espanha em Quito (Equador) e é, atualmente, Chanceler do Consulado Geral da Espanha em São Domingos. No âmbito cultural, foi Diretor-Fundador da revista cultural “El Patio”, editada pelo CCHG de Malabo, Diretor da revista e da programação cultural da emissora de rádio “África 2000”, organizador de diversas publicações de artigos e relatos na Revista de Cultura da Diputación de Ávila, na revista “Luki Luke” e em diversos meios radiofônicos, Diretor-Fundador da editorial “Malamba”, especializada em Literatura Negroafricana. É autor de “El Áfrika Star” (Editorial Abya Yala, Quito).

Alguns links de interesse

http://es.wikipedia.org/wiki/Centro_Cultural_Hispano-Guineano

http://www.espacioluke.com/Junio2001/sanchez.html

http://books.google.es/books?id=gk756j846nAC&printsec=frontcover&dq=literatura+africana+ignacio+manuel+sanchez+sanchez&source=bl&ots=Ygudda5_rw&sig=X93Ma7sNWVyfsyVhaTTI72QO37o&hl=es&ei=-kPdTOLTC9CwhAfQ2NGODQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CCkQ6AEwBQ#v=onepage&q&f=false

https://lib.utexas.edu/recentarrivals/recent_arrivals.php?start=100&location=la&type=any&language=any&sort_by=date_added&results_per_page=100

Sobre a tradutora

Cristiane Grando

(Cerquilho-SP, Brasil, 1974) Escritora brasileira. Autora de Fluxus, Caminantes, Titã, Gardens, Galáxia e GrãO: poesia em português, francês, espanhol, catalão, inglês e italiano. Laureada UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Doutora em Literatura (USP, São Paulo), com pós-doutorado em Tradução (UNICAMP, Campinas), sobre as obras e manuscritos de Hilda Hilst. Professora convidada de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira na Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD) desde 2007. Diretora-fundadora do espaço cultural Jardim das Artes (Cerquilho-SP, Brasil, 2004) e do Centro Cultural Brasil-República Dominicana (São Domingos, 2009).

http://www.letras.s5.com/archivogrando.htm

crisgrando@gmail.com

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011



IRAÍ VERDAN
Iraí Verdan nasceu em Itaperuna – RJ. Formada Contadora, pela Universidade do Grande Rio-RJ. É poetisa, escritora, haicaísta (ministra oficina de haicai em escolas para o Concurso Infanto Juvenil do Grêmio Haicai Ipê - S.Paulo e Projeto Haicai Sabiá) e praticante das artes plásticas.
É membro efetivo da Academia Mageense de Letras - AML, Patrono Luiz Otávio e da Academia Pan-Americana de Letras e Artes – APALA-RJ, Patrono Farias Brito.
É membro fundador do Grêmio Haicai Sabiá, em Praia do Anil - Magé – RJ e membro do Grêmio Haicai “Águas de Março”, no Rio de Janeiro. Participa de reuniões e Encontros no Grêmio Haicai Ipê - São Paulo.
É Cônsul (Consulesa) do Movimento Poetas Del Mundo – Chile, região sudeste de Magé-RJ. Pertence a Autores e à Liga de Poetas e Escritores do Portal CEN - Portugal. Possui trabalhos publicados em diversas Antologias e um Livro Individual recentemente lançado: “Primícias de um tempo...” – Memórias Biográficas.




[clique nas imagens para vê-las em tamanho natural]


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sábado, 12 de fevereiro de 2011



Insistente Aprendiz procura seguir as pegadas dos mestres do haicai

O haicai teve duas vertentes na sua disseminação no país a partir do início do século vinte. A primeira teve origem nos textos de poetas e estudiosos europeus e norteamericanos, encantados com a objetividade dos japoneses e seus três versos curtos ligados à natureza; em meados do século, Millôr Fernandes e Paulo Leminski, entre outros, popularizaram o haicai com sabor brasileiro. A segunda vertente desembarcou no Brasil junto com os imigrantes japoneses, procurando praticá-lo de acordo com os mestres do século dezessete e dezoito e desenvolvendo intenso intercâmbio por meio de grêmios literários e publicações em jornais da colônia, principalmente em São Paulo e no Paraná.

Insistente Aprendiz, o novo livro de haicais de Nelson Savioli, lançado em janeiro pela Editora Qualitymark, demonstra sua modelagem nos grandes mestres japoneses do passado, usando as dezessete sílabas típicas do poema para fazer uma justaposição entre duas sensações, entre o que é permanente e o que é transitório. Os haicais de Savioli não contam tudo, e deixam ao leitor o prazer da sua compreensão, quase uma coautoria. Já que incluem o kigo, ou termo da estação do ano, os haicais são agrupados na primavera. verão, outono e inverno. O livro traz também dez senryu, poemas satíricos escritos de forma mais livre.

Quase uma centena de notas informa em qual contexto os haicais foram escritos e de onde o autor foi buscar a inspiração. Entre os apêndices do livro, destaca-se a palestra “Haicai brasileiro: raízes japonesas, frutos tropicais”, que o autor fez na Academia Brasileira de Letras por ocasião dos festejos do Centenário da Imigração Japonesa, em 1998.

Dois exemplos dos haicais do Insistente Aprendiz:

Um ambientado no verão:

Repentinamente –
o trovão acorda os medos
da minha infância.

E este, com tema de inverno:

Enfim amanhece.
O vigilante e a azaléia
sem trocar palavra.


Perfil do autor:

Em 2007, Savioli publicou o livro “Burajiru Haicais” pela Qualitymark Editora. Ele é autor também de “Carreira: Manual do Proprietário”, “Fracassos em RH – e como se transformaram em casos de sucesso” e “Reflexões sobre o Exemplo”. Foi o executivo principal de Recursos Humanos da Unilever Brasil, Jornal O Globo e Rhodia Brasil. Atualmente é Superintendente Executivo da Fundação Roberto Marinho e diretor voluntário para Assuntos Internacionais da Associação Brasileira de Recursos Humanos.

Insistente Aprendiz (2011)
192 páginas
Preço sugerido: R$ 15,00
Editora: Qualitymark

Para mais informações:
Cláudia Lamego – claudia.lamego@frm.org.br – (21) 3232-8921


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"Poesia na Quarta Capa" encerra o ano de 2010 em alto estilo

Dia 24 de Novembro foi mais uma noite especial para o projeto Poesia na Quarta Capa. Mais uma vez, o restaurante Sansushi abriu suas portas e recebeu pessoas das mais diferentes tribos e com uma única paixão; o Haicai.

Ganhou a poesia e o ambiente ficou pleno de pessoas das mais diversas correntes artísticas, mostrando o potencial do evento em não se fechar em uma única proposta artística, valorizando a diversidade.


Noite animada, o restaurante Sansushi lotado no terceiro encontro
"Poesia na Quarta Capa" - Foto: Rodrigo Méxas



Projeto "Livro na Mesa" livros de haicai e literatura japonesa
para manuseio do público presente - Foto: Rodrigo Méxas


A bela exposição de fotos de Rodrigo Méxas deu um toque especial e criou um clima muito agradável dentro do restaurante de comida típica japonesa. O Cine Haiga projetado na tela incluía uma parceria onde Jiddu e Rodrigo juntaram imagem e texto produzindo um jogo de luz, cor e som para que o público pudesse desfrutar e conhecer melhor o haicai.

A novidade foi o projeto “Livro na Mesa”, que a cada encontro ganha mais reforço e, desta vez, contou com a doação de 5 livros de Nelson Savioli. “Buragiru”, uma verdadeira pérola da criação de um dos grandes haijins brasileiros da atualidade, foi sorteado entre os frequentadores do restaurante que ficaram felizes.

A noite seguiu divertida e o evento que estava previsto para encerrar as 22h, estendeu-se até às 23:30h.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010





Haikus de Ignacio Manuel Sánchez

Tradução de Cristiane Grando


I

El olvido

Sombras del tiempo,
Cúmulos de cenizas
Sobre tu cuerpo


O olvido

Sombras do tempo,
Montes de cinzas
Sobre o teu corpo


II

Ruido de lluvias:
Los altos palmerales
Agitan sus hojas


Ruído de chuvas:
As altas palmeiras
Agitam suas folhas


III

Atlantes

En la otra orilla
La noche que te oculta.
Aquí el sol que brilla.


Atlantes

Na outra orla
A noite que te oculta.
Aqui o sol que brilha.


IV

Luces violentas
Atraviesan los cielos
De las tormentas


Luzes violentas
Atravessam os céus
Das tormentas


V

Atardecer en Castilla

Cielos violetas
Brotan de los picos
De las cigüeñas


Entardecer em Castela

Céus violetas
Brotam dos bicos
Das cegonhas


VI

Insomnio en la tormenta

Brotan del rayo
Fosforescentes sueños
Estrafalarios


Insônia na tormenta

Brotam do raio
Fosforescentes sonhos
Excêntricos


In: “35 haikus, un zéjel y varias redondillas”, de Ignacio Manuel Sánchez. Traduzidos por Cristiane Grando com a autorização do autor.


Ignacio Manuel Sánchez

Nacido en Salamanca (España). En la Universidad de esa ciudad estudió en la Facultad de Letras. Licenciado en Geografía e Historia en la Universidad de Salamanca, en Lengua y Literatura Francesas en la Universidad de Ginebra, es actualmente funcionario del Ministerio de Asuntos Exteriores de España y Caballero de la Orden del Mérito Civil, otorgado por S.M. el Rey de España. Por motivos de trabajo, y también por vocación, ha vivido en diferentes países y en varios continentes. Actualmente reside en Santo Domingo. Casi toda su vida profesional se ha realizado en el exterior: fue Director del Centro Cultural Español en Malabo (Guinea Ecuatorial), Director Provincial de Cultura en la Junta de Castilla y León, Jefe de Visados en la Embajada de España en Dakar (Senegal), Jefe de Visados en el Consulado General de España en Quito (Ecuador) y es, actualmente, Canciller del Consulado General de España en Santo Domingo. En el ámbito cultural, fue Director-Fundador de la revista cultural “El Patio”, editada por el CCHG de Malabo, Director de la revista y de la programación cultural de la emisora de radio “África 2000”, organizador de diversas publicaciones de artículos y relatos en la Revista de Cultura de la Diputación de Ávila, en la revista “Luki Luke” y en diversos medios radiofónicos, Director-Fundador de la editorial “Malamba”, especializada en Literatura Negroafricana. Es autor de “El Áfrika Star” (Editorial Abya Yala, Quito). Actualmente prepara la edición, en colaboración con el artista plástico dominicano Said Musa, del libro “35 haikus, un zéjel y varias redondillas”.

Nascido em Salamanca (Espanha). Na Universidade desta cidade estudou na Faculdade de Letras. Graduado em Geografia e História na Universidade de Salamanca, em Língua e Literatura Francesas na Universidade de Genebra, é atualmente funcionário do Ministerio de Asuntos Exteriores de España e Caballero de la Orden del Mérito Civil, título outorgado pelo Rei da Espanha. Por motivos de trabalho, e também por vocação, viveu em diferentes países e em vários continentes. Atualmente reside em São Domingos. Quase toda a sua vida profissional se realizou no exterior: foi Diretor do Centro Cultural Espanhol em Malabo (Guiné Equatorial), Diretor Provincial de Cultura na Junta de Castilla y León, Cônsul na Embaixada da Espanha em Dakar (Senegal), Cônsul no Consulado Geral da Espanha em Quito (Equador) e é, atualmente, Chanceler do Consulado Geral da Espanha em São Domingos. No âmbito cultural, foi Diretor-Fundador da revista cultural “El Patio”, editada pelo CCHG de Malabo, Diretor da revista e da programação cultural da emissora de rádio “África 2000”, organizador de diversas publicações de artigos e relatos na Revista de Cultura da Diputación de Ávila, na revista “Luki Luke” e em diversos meios radiofônicos, Diretor-Fundador da editorial “Malamba”, especializada em Literatura Negroafricana. É autor de “El Áfrika Star” (Editorial Abya Yala, Quito). Atualmente prepara a edição, em colaboração com o artista plástico dominicano Said Musa, do livro “35 haikus, un zéjel y varias redondillas”.


Algunos links de interés / Alguns links de interesse:

http://es.wikipedia.org/wiki/Centro_Cultural_Hispano-Guineano

http://www.espacioluke.com/Junio2001/sanchez.html


http://books.google.es/books?id=gk756j846nAC&printsec=frontcover&dq=literatura+africana+ignacio+manuel+sanchez+sanchez&source=bl&ots=Ygudda5_rw&sig=X93Ma7sNWVyfsyVhaTTI72QO37o&hl=es&ei=-kPdTOLTC9CwhAfQ2NGODQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CCkQ6AEwBQ#v=onepage&q&f=false

https://lib.utexas.edu/recentarrivals/recent_arrivals.php?start=100&location=la&type=any&language=any&sort_by=date_added&results_per_page=100


Cristiane Grando

Poetisa brasileña. Autora de Fluxus, Caminantes, Titã y Gardens (poesía en portugués, francés, español, catalán e inglés). Laureada UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Doctora en Literatura (USP, São Paulo) con pos-doctorado en Traducción (UNICAMP, Campinas), Brasil, sobre las obras y manuscritos de Hilda Hilst. Profesora de Lengua Portuguesa y Cultura Brasileña invitada por la Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD), República Dominicana, desde 2007. Directora-fundadora del espacio cultural Jardim das Artes (Cerquilho-SP, Brasil, 2004) y del Centro Cultural Brasil – República Dominicana (Santo Domingo, 2009).

(Cerquilho-SP, Brasil, 1974) Escritora brasileira. Autora de Fluxus, Caminantes, Titã e Gardens (poesia em português, francês, espanhol, catalão e inglês). Laureada UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Doutora em Literatura (USP, São Paulo), com pós-doutorado em Tradução (UNICAMP, Campinas), sobre as obras e manuscritos de Hilda Hilst. Professora convidada de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira na Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD) desde 2007. Diretora-fundadora do espaço cultural Jardim das Artes (Cerquilho-SP, Brasil, 2004) e do Centro Cultural Brasil-República Dominicana (São Domingos, 2009).

http://www.letras.s5.com/archivogrando.htm

crisgrando@gmail.com

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Um Brinde a Benedita Azevedo!
Jiddu Saldanha

Foi um momento ímpar poder realizar o lançamento dos livros “ Silêncio da Tarde” e “Rumor das Ondas” de Benedita Azevedo. Confirmação de mais um espaço dedicado ao haicai e à poesia curta: O restaurante Sansushi, em Sta. Tereza, um dos mais belos e tradicionais bairros do Rio de Janeiro. Tivemos as presenças de Jorge Salomão, Celso Pestana, Antõnio Gutman e o fotógrafo Rodrigo Méxas, além claro de nossa queridíssima Monja zen Eishun que aproveitou o momento para comemorar seu aniversário com muita alegria e o mais puro amor no coração.


Poetas e Fotógrafos brindam no lançamento
dos livros de Benedita Azevedo

Não faltou vinho de qualidade e sushi de primeira e todos puderam se confraternizar e eternizar mais um momento em que o Rio de Janeiro começa acordar para a produção de haicais feitos no estado. Foi um encontro de riqueza poética e descobertas importantes para a prática do haicai. Fizemos a exibição dos Cine Haigas onde a platéia presente pode conhecer belos haicais projetados na tela de haicaístas como Paulo Franchetti, Rosa Clement, José Marins e tantos outros que trouxeram alegria, reflexão e contemplação para este belo momento.

Benedita Azevedo, uma pilha de livros, vinho e muito haicai!

Dentre as alegrias que tivemos, o livro “Silêncios” de Gustavo Felicíssimo, correu de mãos em mãos enquanto explicávamos para a platéia os diversos gêneros de poesia japonesa (tanka, haibun, haicai encadeado, senryu) presentes na belíssima publicação do poeta paulista que, atualmente, reside em Itabuna, Bahia.

Por volta de 22 horas, Benedita despediu-se dos amigos presentes e foi ao encontro de Teruko Oda, no Paraná, para mais uma jornada de haicai naquele estado. Ficamos todos felizes com o lançamento e saímos de lá com um belo sorriso japa da simpáticíssima Tizuko Shiraiwa, dona do restaurante Sansushi que nos contemplou com sua impecável hospitalidade.

Que o haicai siga marcando sua presença no Rio de Janeiro. É o nosso maior desejo!
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