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Revista de Haicai - Editores: Chris Herrmann e Jiddu Saldanha
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010





Haikus de Ignacio Manuel Sánchez

Tradução de Cristiane Grando


I

El olvido

Sombras del tiempo,
Cúmulos de cenizas
Sobre tu cuerpo


O olvido

Sombras do tempo,
Montes de cinzas
Sobre o teu corpo


II

Ruido de lluvias:
Los altos palmerales
Agitan sus hojas


Ruído de chuvas:
As altas palmeiras
Agitam suas folhas


III

Atlantes

En la otra orilla
La noche que te oculta.
Aquí el sol que brilla.


Atlantes

Na outra orla
A noite que te oculta.
Aqui o sol que brilha.


IV

Luces violentas
Atraviesan los cielos
De las tormentas


Luzes violentas
Atravessam os céus
Das tormentas


V

Atardecer en Castilla

Cielos violetas
Brotan de los picos
De las cigüeñas


Entardecer em Castela

Céus violetas
Brotam dos bicos
Das cegonhas


VI

Insomnio en la tormenta

Brotan del rayo
Fosforescentes sueños
Estrafalarios


Insônia na tormenta

Brotam do raio
Fosforescentes sonhos
Excêntricos


In: “35 haikus, un zéjel y varias redondillas”, de Ignacio Manuel Sánchez. Traduzidos por Cristiane Grando com a autorização do autor.


Ignacio Manuel Sánchez

Nacido en Salamanca (España). En la Universidad de esa ciudad estudió en la Facultad de Letras. Licenciado en Geografía e Historia en la Universidad de Salamanca, en Lengua y Literatura Francesas en la Universidad de Ginebra, es actualmente funcionario del Ministerio de Asuntos Exteriores de España y Caballero de la Orden del Mérito Civil, otorgado por S.M. el Rey de España. Por motivos de trabajo, y también por vocación, ha vivido en diferentes países y en varios continentes. Actualmente reside en Santo Domingo. Casi toda su vida profesional se ha realizado en el exterior: fue Director del Centro Cultural Español en Malabo (Guinea Ecuatorial), Director Provincial de Cultura en la Junta de Castilla y León, Jefe de Visados en la Embajada de España en Dakar (Senegal), Jefe de Visados en el Consulado General de España en Quito (Ecuador) y es, actualmente, Canciller del Consulado General de España en Santo Domingo. En el ámbito cultural, fue Director-Fundador de la revista cultural “El Patio”, editada por el CCHG de Malabo, Director de la revista y de la programación cultural de la emisora de radio “África 2000”, organizador de diversas publicaciones de artículos y relatos en la Revista de Cultura de la Diputación de Ávila, en la revista “Luki Luke” y en diversos medios radiofónicos, Director-Fundador de la editorial “Malamba”, especializada en Literatura Negroafricana. Es autor de “El Áfrika Star” (Editorial Abya Yala, Quito). Actualmente prepara la edición, en colaboración con el artista plástico dominicano Said Musa, del libro “35 haikus, un zéjel y varias redondillas”.

Nascido em Salamanca (Espanha). Na Universidade desta cidade estudou na Faculdade de Letras. Graduado em Geografia e História na Universidade de Salamanca, em Língua e Literatura Francesas na Universidade de Genebra, é atualmente funcionário do Ministerio de Asuntos Exteriores de España e Caballero de la Orden del Mérito Civil, título outorgado pelo Rei da Espanha. Por motivos de trabalho, e também por vocação, viveu em diferentes países e em vários continentes. Atualmente reside em São Domingos. Quase toda a sua vida profissional se realizou no exterior: foi Diretor do Centro Cultural Espanhol em Malabo (Guiné Equatorial), Diretor Provincial de Cultura na Junta de Castilla y León, Cônsul na Embaixada da Espanha em Dakar (Senegal), Cônsul no Consulado Geral da Espanha em Quito (Equador) e é, atualmente, Chanceler do Consulado Geral da Espanha em São Domingos. No âmbito cultural, foi Diretor-Fundador da revista cultural “El Patio”, editada pelo CCHG de Malabo, Diretor da revista e da programação cultural da emissora de rádio “África 2000”, organizador de diversas publicações de artigos e relatos na Revista de Cultura da Diputación de Ávila, na revista “Luki Luke” e em diversos meios radiofônicos, Diretor-Fundador da editorial “Malamba”, especializada em Literatura Negroafricana. É autor de “El Áfrika Star” (Editorial Abya Yala, Quito). Atualmente prepara a edição, em colaboração com o artista plástico dominicano Said Musa, do livro “35 haikus, un zéjel y varias redondillas”.


Algunos links de interés / Alguns links de interesse:

http://es.wikipedia.org/wiki/Centro_Cultural_Hispano-Guineano

http://www.espacioluke.com/Junio2001/sanchez.html


http://books.google.es/books?id=gk756j846nAC&printsec=frontcover&dq=literatura+africana+ignacio+manuel+sanchez+sanchez&source=bl&ots=Ygudda5_rw&sig=X93Ma7sNWVyfsyVhaTTI72QO37o&hl=es&ei=-kPdTOLTC9CwhAfQ2NGODQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=6&ved=0CCkQ6AEwBQ#v=onepage&q&f=false

https://lib.utexas.edu/recentarrivals/recent_arrivals.php?start=100&location=la&type=any&language=any&sort_by=date_added&results_per_page=100


Cristiane Grando

Poetisa brasileña. Autora de Fluxus, Caminantes, Titã y Gardens (poesía en portugués, francés, español, catalán e inglés). Laureada UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Doctora en Literatura (USP, São Paulo) con pos-doctorado en Traducción (UNICAMP, Campinas), Brasil, sobre las obras y manuscritos de Hilda Hilst. Profesora de Lengua Portuguesa y Cultura Brasileña invitada por la Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD), República Dominicana, desde 2007. Directora-fundadora del espacio cultural Jardim das Artes (Cerquilho-SP, Brasil, 2004) y del Centro Cultural Brasil – República Dominicana (Santo Domingo, 2009).

(Cerquilho-SP, Brasil, 1974) Escritora brasileira. Autora de Fluxus, Caminantes, Titã e Gardens (poesia em português, francês, espanhol, catalão e inglês). Laureada UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Doutora em Literatura (USP, São Paulo), com pós-doutorado em Tradução (UNICAMP, Campinas), sobre as obras e manuscritos de Hilda Hilst. Professora convidada de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira na Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD) desde 2007. Diretora-fundadora do espaço cultural Jardim das Artes (Cerquilho-SP, Brasil, 2004) e do Centro Cultural Brasil-República Dominicana (São Domingos, 2009).

http://www.letras.s5.com/archivogrando.htm

crisgrando@gmail.com

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sexta-feira, 4 de junho de 2010



Cristiane Grando pergunta e o Haicaísta Celso Pestana responde


Cristiane Grando é autora de Fluxus, Caminantes, Titã e Gardens (poesia em português, francês, espanhol, catalão e inglês). Laureada UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Doutora em Literatura (USP, São Paulo), com pós-doutorado em Tradução (UNICAMP, Campinas), sobre as obras e manuscritos de Hilda Hilst. Professora convidada de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira na Universidad Autónoma de Santo Domingo (UASD) desde 2007. Diretora-fundadora do espaço cultural Jardim das Artes (Cerquilho-SP, Brasil, 2004) e do Centro Cultural Brasil-República Dominicana (São Domingos, 2009). http://www.letras.s5.com/archivogrando.htm


CRISTIANE GRANDO: É possível relacionar, em alguns casos, um haicai com uma natureza morta? Gostaria que desse alguns exemplos de haicais que podem remeter a quadros (natureza morta, paisagem, etc).

CELSO PESTANA: Natureza-morta é um gênero de pintura em que se representam frutas, flores, livros, taças de vidro, garrafas, jarras de metal, porcelanas, dentre outros objetos. O foco de uma natureza-morta são esses objetos. Outros tipos de pintura podem ter objetos entre seus elementos, mas com um foco diferente.

O foco do haicai não são os objetos, e, portanto, não se pode falar em natureza morta nesse poemeto; mas, como os objetos fazem parte da nossa vida, aparecem aqui e ali na obra dos mestres. Por exemplo:

Mingau branco

Numa tigela imaculada –
A luz do sol do Ano-Novo.
(Josô)


No orvalho da manhã,
Sujo e fresco,
O melão enlameado.
(Bashô)


Na sopa fria,
Refletidos,
Os bambus do quintal.
(Raizan)


Primeiras neves –
Meu maior tesouro,
Este velho penico
(Issa)


Acho muito importante ter em mente que, quando se fala em foco no haicai, é preciso distinguir entre o objetivo, aquele que é descrito, e o subjetivo, aquele que é despertado pela descrição objetiva. Um bom haicai não prescinde deste último. Penicos, paisagens, marinhas, etc., em minha opinião, servem a esse propósito.

Mas há pelo menos uma tentativa entre nós de pintar uma natureza morta em três versos:

Natureza morta.
Frutos, caça, vinhos?
Não.
Maletas de couro.

Oldegar Franco Vieira (http://sopadepoesia.blogspot.com/2009/06/tres-haicais-de-oldegar-franco-vieira.html)

Não sei se é legal pintar um quadro tão pequeno e lhe colar uma etiqueta como a do primeiro verso desse poema.

CRISTIANE GRANDO: Quanto é permitido ao poeta fugir da concisão ao criar um haicai? Quais os casos de haicais mais extensos que você conhece?

CELSO PESTANA: A um bom poeta tudo é permitido. Se ele não quiser ser conciso ao criar um haicai, nada o impede. A questão é: por que o faria? Por que criar um haicai se não se pretende ser conciso?

Bashô falou da rã assim:

O velho tanque –
Uma rã mergulha,
Barulho de água.

Pessoa, alma de amplos mares, preferia, talvez, às finas fatias de um sashimi uma dobrada à moda do Porto – e que não a servissem fria! E escreveu assim sobre o anfíbio:

Todas as cousas que há neste mundo
Têm uma história,

Excepto estas rãs que coaxam no fundo

Da minha memória.

Qualquer lugar neste mundo tem

Um onde estar,

Salvo este charco de onde me vem

Esse coaxar.


Ergue-se em mim uma lua falsa

Sobre juncais,

E o charco emerge, que o luar realça

Menos e mais.


Onde, em que vida, de que maneira

Fui o que lembro

Por este coaxar das rãs na esteira

Do que deslembro?


Nada.
Um silêncio entre juncos dorme.

Coaxam ao fim
De uma alma antiga que tenho enorme
As rãs sem mim.


Fernando Pessoa, 13-8-1933.

Navegar é preciso, mas escrever haicais é uma escolha – e não é uma escolha fácil.

Quanto à segunda parte da pergunta, não conheço nenhum bom haicai que seja mais extenso que o necessário.

CRISTIANE GRANDO: O haicai é formado por apenas uma estrofe ou há casos de haicais que são formados por duas estrofes?

CELSO PESTANA: Aquilo que no Brasil chamamos de haicai, e que é conhecido no resto do mundo por haiku, é formado por apenas uma estrofe. Há outra forma poética japonesa chamada tanka, constituída por um terceto e um dístico, e há alguns haicaistas brasileiros que a exercitam. No entanto, já vi um de meus mestres dizer que a maioria desses tankas não têm relação com a arte japonesa e são apenas uma maneira de burlar a restrição dos três versos para dar vazão à nossa verborragia ocidental.

Sobre a evolução (tanka, haikai-no-renga, haiku) e as características do haicai, recomendo a introdução do Prof. Paulo Franchetti no seu livro Haikai (com Elza Taeko Doi e Luiz Dantas), de onde, aliás, tirei as traduções acima.