
Renato Gusmão pergunta e o Haicaísta Celso Pestana responde
Dentro do Programa “Cor da Pátria”, já foram realizados inúmeros shows musicais mostrando a obra do compositor Renato Gusmão e também de vários outros eventos culturais. Já foram lançados os CD’s SUMANOS (1997), DOS ZENS (2005), os livros PALAVRAS NO TEMPO (2002) e CAFÉ COM ANGU – CRÔNICAS E OUTROS POEMAS, (2007). Participa das antologias: “Hélio Pinto Ferreira” da Fundação Cassiano Ricardo de São José dos Campos; Antologia “Poesia no ônibus”, da Prefeitura de Belém do Pará; “Poesia do Brasil” e “Poeta, Mostra Tua Cara” dos XVI e XVII Congresso Brasileiro de Poesia, ( 2008 e 2009 ).
RENATO GUSMÃO: Para ser caracterizado verdadeiramente um haicai, é necessário todos os versos na íntegra e também suas separações silábica?
CELSO PESTANA: Acho que o Renato está se referindo à quantidade de versos e à métrica. Não, o que distingue o haicai não é a quantidade de versos, de sílabas ou a métrica. Com esses mesmos atributos se pode escrever um microssoneto, um axioma, uma quadrinha perneta (também conhecida como poetrix), etc. O haicai pode ter três versos em 5-7-5, mas o que é diferente no haicai não é a forma, é o espírito que cria poemas assim:
Calma de primavera -
O monge da montanha
Espia através da cerca.
Issa
Vento de inverno -
O gato de olho vazado
Procura seu dono.
Edson Kenji Iura
névoa na estrada
à beira de um sonho
um trem para Praga
Alice Ruiz
Creio que quem apreende o espírito, não se deixa enganar pela forma.
RENATO GUSMÃO: O hai kai pode ser considerado o ponto de partida
para um bom aprendizado?
CELSO PESTANA: Para um bom aprendizado de que? De qualquer forma, considero o haicai um ponto de partida - e de chegada - para o aprendizado de muitas coisas, entre elas “a combinação de simplicidade superficial com conteúdo sutil” (Franchetti, “Haikai”).
RENATO GUSMÃO: O que o estudo da técnica de hai kai pode influenciar
na trajetória de um poeta?
CELSO PESTANA: Essa pergunta me parece semelhante à anterior. E a resposta vem da mesma fonte da resposta anterior:
“[...] a lição fundamental de Bashô não diz respeito à “tecnologia” poética, mas sim ao reconhecimento da espontaneidade, da intuição e do aperfeiçoamento espiritual como fontes da poesia.” (Franchetti, “Haikai”)
Um abraço,
Pestana
RENATO GUSMÃO: Para ser caracterizado verdadeiramente um haicai, é necessário todos os versos na íntegra e também suas separações silábica?
CELSO PESTANA: Acho que o Renato está se referindo à quantidade de versos e à métrica. Não, o que distingue o haicai não é a quantidade de versos, de sílabas ou a métrica. Com esses mesmos atributos se pode escrever um microssoneto, um axioma, uma quadrinha perneta (também conhecida como poetrix), etc. O haicai pode ter três versos em 5-7-5, mas o que é diferente no haicai não é a forma, é o espírito que cria poemas assim:
Calma de primavera -
O monge da montanha
Espia através da cerca.
Issa
Vento de inverno -
O gato de olho vazado
Procura seu dono.
Edson Kenji Iura
névoa na estrada
à beira de um sonho
um trem para Praga
Alice Ruiz
Creio que quem apreende o espírito, não se deixa enganar pela forma.
RENATO GUSMÃO: O hai kai pode ser considerado o ponto de partida
para um bom aprendizado?
CELSO PESTANA: Para um bom aprendizado de que? De qualquer forma, considero o haicai um ponto de partida - e de chegada - para o aprendizado de muitas coisas, entre elas “a combinação de simplicidade superficial com conteúdo sutil” (Franchetti, “Haikai”).
RENATO GUSMÃO: O que o estudo da técnica de hai kai pode influenciar
na trajetória de um poeta?
CELSO PESTANA: Essa pergunta me parece semelhante à anterior. E a resposta vem da mesma fonte da resposta anterior:
“[...] a lição fundamental de Bashô não diz respeito à “tecnologia” poética, mas sim ao reconhecimento da espontaneidade, da intuição e do aperfeiçoamento espiritual como fontes da poesia.” (Franchetti, “Haikai”)
Um abraço,
Pestana